O blogueiro Rodolfo Lucena é uma figura que me inspira bastante e tenho acompanhado suas dicas faz um bom tempo, inclusive é um dos caras que li, vi e achei que poderia correr e fazer parte das figuras do Corre 25!, apesar de não conhecê-lo pessoalmente.
O cara é barbudo (de verdade), é grande e trabalha na redação da Folha de S.P. o que acaba com a saúde de qualquer um.
Ele faz ultras e quero seguir o seu exemplo, esse ano vou tentar as 50 milhas.
Esse texto caiu bem por que eu também curto meias, apesar de ficar mortalmente invejoso daqueles que correm grandes distâncias sem elas. Só na semana passada corri pela primeira vez sem esse apetrecho em uma curtinha de 5 km e achei uma delícia.
Essa frase do Rodolfo fala muito sobre o que acredito:
" Com, isso não vale para as atuais estrelas do mercado, as meias de compressão. Elas chegam a custar R$ 200 (mesmo no exterior são caras, por mais de US$ 50), e para mim pouco importa se funcionam ou não –há muita polêmica a respeito. Eu não pago mais de R$ 30 numa meia de corrida e pronto.
Talvez, porém, para quem faça repetidamente longos voos, valha a pena comprar meia de compressão. Elas evitam ou reduzem o inchaço dos pés, segundo me dizem. Mas, para essa função, há aquelas meias para grávidas que são bem mais baratas."
Vale a pena conferir o texto e se ligar no blog:
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| http://oficinasimprensa.wordpress.com/2011/02/10/entrevistas-tecnologia-e-jornalismo/ |
Algumas considerações sobre meias de corridas
Eu adoro meias. Nas lojas de artigos esportivos, sempre vou ver os novos tênis de corrida e, em seguida, dedico atenção à área de meias. Não só porque gosto de ficar com os pés quentinhos mas também porque aprendi, a duras penas, que meias ruins podem acabar com a corrida do vivente.
O aprendizado foi longo. Nas minhas primeiras corridas, usava meiões de futebol, do Grêmio, é claro. O ajuste era perfeito, a parte do pé tinha bastante elástico ou seja qual for o material usado, de modo que ficava tudo bem apertado, sem bolhas nem áreas que pudessem causar atrito maior do que o indispensável.
O problema era a parte de fora do tênis, o cano da meia. Vinha quase até o joelho e ainda tinha uma cobertura extra, que dobrava sobre a própria meia, como um acabamento de arrumação de lençol…
Nas primeiras corridas, tudo bem. Mas, à medida que a meia era submetida a sucessivas lavagens, o ajuste na perna ia ficando mais relaxado, e uma perna nunca era igual à outra. Para piorar, vários corredores mais experientes não se furtavam de dar opiniões não solicitadas, dizendo que a meia era ruim porque fazia muita pressão na perna (veja que, hoje em dia, há especialistas que afirmam justamente o contrário…).
Um desses “conselheiros”, ao passar por mim nas 10 Milhas do Rotary em Paranapiacaba, sugeriu que eu baixasse os meiões para não me prejudicar… Fiquei com muita raiva do cara, tanto que, 15 anos depois, ainda me lembro da opinião mal vinda; de qualquer forma, minha resposta foi fazer o que eu pude para passar dele e deixá-lo bem para trás. Foi difícil, mas consegui.
Donde se conclui que, na minha modesta opinião, ninguém deve fazer comentários não solicitados sobre a corrida do outro. Muito menos piadinhas, como dizer: “Mijando, hein???!!!”, quando um sujeito está se aliviando durante uma corrida. Mas voltemos às meias.
Percebi que, em algum momento, precisaria aposentar as tais meias de futebol. Para a minha primeira maratona, não sabia o que usar. Encontrei umas meias brancas com elastano ou coisa que o valha e resolvi experimentar.
Resumo da ópera: cheguei ao km 38 com uma enorme bolha no meio do pé direito, a quem até hoje culpo por não ter feito sub4h no meu debute maratonístico (fiz 4h00min20, se não me falha a memória; na foto, está 00min35, mas eu já tinha passado da linha…).
Bom, rodei por diversas meias disponíveis cá por estas bandas até que visitei a feira da Two Oceans Marathon, minha primeira ultra. As meias apresentadas pelo estande da germânica Falke era por demais atrativas, e acabei comprando. Pela primeira vez, lá em 2002, via meias desenhadas especialmente para cada pé, fofas, com amortecimento extra no calcanhar e mais um fofinho no meio do pé.
Ainda fiz um pouco de * doce, argumentando comigo mesmo que a gente não deve usar nada novo em provas, muito menos no debute no mundo das ultramaratonas, uma prova de 56 km com uma subida de 5 km para rei da montanha nenhum botar defeito. Mas a Eleonora rapidamente me convenceu a usar as tais meias, já que elas pareciam tão boas, tão melhores do que qualquer coisa que eu jamais havia usado.
E eram mesmo e são mesmo. Por isso, fica aqui minha primeira dica. Se algum dia você vir meias Falke à venda, dê uma olhada, experimente, avalie o preço –elas costumam ser caras.
Minha segunda experiência com meias importadas foi pela internet: fiquei vendo resenhas das meias Kayano, da Asics, e queria muito experimentá-las (tinha comprado apenas dois pares da Falke, que já estavam pelas tabelas, apesar de usá-las só em superlongões ou maratonas). Quando Eleonora viajou com as meninas para Nova York, pedi que me trouxesse um par.
Exagerada, trouxe seis! Dei um para meu irmão e até hoje ainda tenho quase todos os outros pares. Fui usando cada um até a exaustão; quando perdiam um pouco da elasticidade, deixava para provas mais curtas. Elas lembravam as Falke no uso de acolchoamento especial em partes da meia e também tinham bom ajuste. Mas era de cano curto, quase invisíveis, e imaginava que iriam ser engolidas pelos tênis nos puxa-e-repuxa da corrida. Nada disso aconteceu, e as meias são muito boas mesmo. Com elas, fui me adaptando a usar meias de cano curto ou mesmo essas ditas invisíveis, que parecem estar mais em voga.
A vantagem das compras no exterior é o custo: as meias Kayano, que custavam cerca de US$ 15, era vendidas aqui por R$ 60 na época em que as ganhei. Mas hoje há modelos importados ou produzidos aqui no Brasil com preços razoáveis e bom desempenho.
Ultimamente, por exemplo, venho usando em algumas provas mais longas um modelo da Mizuno vendido a menos de R$ 20 em lojas especializadas, o que me parece ótimo custo/benefício.
Praticamente todas as marcas passaram a oferecer meias de corridas desenhadas especialmente para cada um dos pés, o que ajuda a não deixar espaços e melhora o ajuste. Muitos modelos também vêm com amortecimento extra –não sei se ajuda alguma coisa em relação ao impacto, mas é muito bom, especialmente para andar em casa, sem tênis (não se deve fazer isso com as meias da maratona, mas às vezes eu faço…).
Em suma, vejo que a oferta de boas meias de corrida nas lojas brasileiras melhorou muito nos últimos dez anos. Os preços estão bem mais razoáveis, e a qualidade é aceitável ou boa mesmo em produtos vendidos em pacotes com dois ou três pares.
Bom, isso não vale para as atuais estrelas do mercado, as meias de compressão. Elas chegam a custar R$ 200 (mesmo no exterior são caras, por mais de US$ 50), e para mim pouco importa se funcionam ou não –há muita polêmica a respeito. Eu não pago mais de R$ 30 numa meia de corrida e pronto.
Talvez, porém, para quem faça repetidamente longos voos, valha a pena comprar meia de compressão. Elas evitam ou reduzem o inchaço dos pés, segundo me dizem. Mas, para essa função, há aquelas meias para grávidas que são bem mais baratas.